sexta-feira, 7 de julho de 2017

quem tem a chave?

lembra quando um mais um não era dois?
a gente não deixava tanta vida pra depois
deitava na caminha de solteiro e ficava completo
se abraçando como se o mundo não tivesse fim

nada era como é hoje
não tinha tanto compromisso adulto
não tinha tanta norma cagando regra
e não havia a separação feita pelo mundo
e por nós mesmos

a única regra era respeitar, ser honesto,
e lembrar de alternar a ordem da conchinha
hora ser conchinha de dentro
hora ser conchinha de fora

agora é beijo sem amor,
vida sem sossego, relação aprisionada
cadê a liberdade dentro do abraço?

foda pra caralho
as borboletas do estômago voaram em outra direção,
a gente se acostumou a seguir, seguir a hora do relógio,
correr pra não se atrasar e bater o ponto sem pensar

quem tem a chave dessa prisão?


Escrito há muito tempo atrás. Tipo em 2012.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

[sufoco.]

não consigo respirar.
tento gritar!
minha voz não sai
nem sei se existe mais...

só há o vazio,
até então.
dor. e o sangue,

da garganta arranhada,
do choro contido,
do sentir sufocado.

esse nó que me cala,
que entala
e nada deixa sair

nada...

da inexistência,
da omissão
da anulação da vida,
à falta de libido.

qual é o sentido?
o motivo?
a razão?

castração?!
da vida,
da potência.

e essa luta,
desesperada,
pra não morrer
dentro de mim.

dói!
grito!
choro!
sinto!

vivo.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

[Bilhete esgotado, destino vazio]

Eu que sempre falei "vai, some"
Agora me pego querendo fazer morada no peito de alguém
Por mais que a vergonha se inclua
Lhe peço: por favor, me dilua por inteira

Essa neurose obsessiva ostenta
Uma muralha de nãos que me tenta
A desistir de tentar, outra vez

Eu que me sinto como um trem
Buscando o descarrilhamento
Sigo sentindo que
Tenho um destino certo

Mas quem compraria um bilhete
em direção ao não?

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Barco à deriva

escrito dia 03/02 em um bar qualquer


Tive que abrir tuas redes sociais hoje de novo. Queria saber como você tava, ver teu rosto, o que você andava compartilhando, esse tipo de coisa fugaz. E eu fiz isso, mesmo que a parcela da tua vida compartilhada seja irrisória. Eu queria saber, eu queria ver. Mesmo que cada vez que eu veja doa em algum lugar diferente, mesmo que eu tenha prometido pra mim mesma que ia ficar longe disso, que eu merecia mais. E eu sei que mereço mais que as migalhas que colho de ti pelo caminho que já trilhei.

Mas como eu poderia prever que de novo eu acordaria pensando em você? Como eu ia adivinhar que tu tinha o poder de me tornar barco à deriva? Eu que sempre mantive o compostura, que andava fiel com minha bússola, no controle do leme. Eu a me guiar, agora fico tão sem norte. Só há morte. E vazio. O vazio da vida que segue sem ti e leva os sentidos malucos que sempre existiram dentro da minha loucura. Nao há nada sem ti, o vazio é palpável, a dor é assombrosa. E eu? Eu sigo sem saber como seguir...

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Aquele all star vermelho



Sabe aquele tênis que eu amava? Pois é, eu deixei pra trás... na casa de uma amiga. Eu tava indo embora e ele ficou lá...

Eu deixei ele lá. Não porque eu não queria mais ele, nem porque eu sei que pode passar um tempão mas vou voltar a ver ele. Deixei ele lá pura e simplesmente porque nunca imaginei que de fato poderia ir embora e deixar ele pra trás...

Mas ele ficou lá. Com ele ficou minha esperança de mudar de vida, de te amar de novo, de ficar pra sempre. Com ele ficou a crença de construir um novo lar no antigo lar, de fazer do abraço uma casa, do teu olhar morada.

Ele ficou, mas tu veio de intruso no peito. Poderia ter ficado lá, no aeroporto... Quando não apareceu pra me fazer mudar de vida, quando não apareceu pra ter de volta o que era teu: meu peito, teu abrigo anti-bombas.

Mas tu não apareceu, meu tênis ficou pra trás e o caminho até pode ser sinuoso, mas eu sou teimosa. Eu aprendi a construir novos lares, a conhecer novas pessoas. Uma hora dessas alguém me trás um tênis e me oferece um novo lar, até lá eu vou lutar. Lutar pra ser feliz. Pra acreditar em mim. Pra parar de sonhar e esperar.

Nao quero ser Alice no País das Maravilhas, não quero ouvir que "pra quem nao sabe onde ir, qualquer caminho serve". Eu construo meu próprio caminho.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

É a vida.


A gente sempre escuta que a vida nao é como a gente quer. Tudo bem, não somos senhores do tempo e não tomamos todas as decisões sozinhos. Muitas vezes não temos a vida que sonhamos, mas não podemos dizer que não é a nossa vida. Nós a construímos dia a dia, acontecimento por acontecimento, decisão após decisão.

Aqui estou eu, escrevendo sobre a vida no shopping que frequento desde criança, na cidade que mais amo no universo. Coração apertado por logo ter que entrar num avião que vai me levar pra tão longe da minha felicidade, pra longe da minha metade que hoje completa a vida de outro alguém.

E a vida, aquela salafraria, tá aqui, me esfregando verdades na cara, destilando a fatalidade do tempo e dos acontecimentos. A vida tá aqui me mostando que passou tempo demais, embora nenhum tempo do mundo seja suficiente, me mostrando que a vida pode não ser como queremos, mas que cabe a nós nos satisfazermos com o que ela oferece. Ela ja me ofereceu muita coisa. Ja me ofereceu muitas possibilidades. Mas eu nao consigo aceitar. Eu nao consigo me contentar. Nao consigo me contentar com menos do que tudo aquilo que desejo. E o meu desejo é voce. Fazer o que? É a vida.

Vou entrar naquele avião tendo vontade de ficar. Vou querer morrer durante todo trajeto só por desejar não sentir mais isso, nunca mais. Mas é a vida.