sábado, 13 de dezembro de 2014

sobre ser roteirista de vidas alheias.


Não consigo entender o que acontece com meu coração. Não consigo sentir o que acontece na minha cabeça. Por que é tão difícil racionalizar a emoção e sentir a razão? Os dois não deveriam andar juntos?

Cresci ouvindo que se eu fosse uma pessoa legal, várias pessoas iriam se apaixonar por mim. Não foi bem o que aconteceu no decorrer dos anos. Eu sou uma pessoa legal, ninguém se apaixona por mim. Sou uma pessoa legal, mas tão legal, que sempre sou legal demais para que os outros corram o risco de estragar uma amizade com algo a mais. Sou tão legal, que sempre estou disposta a ser depósito de lixo alheio. Sou tão legal, que vivo me deixando como segunda opção só para ajudar aos outros. Sou tão legal, que sirvo para os outros quando lhes convém. Sou tão legal, que todos acham que sou autosuficiente e que jamais preciso de ajuda, já que estou sempre pronta para ajudar os outros.

Eu cansei disso. Eu estou cansada de brincar de teatro e fingir que tudo isso me agrada e deixa feliz, apesar de às vezes me deixar feliz. Eu adoro ajudar os outros, gosto tanto que a minha existência e o sentido da minha vida se confundem com isso. Gosto tanto, que preciso deixar de gostar para aprender a gostar um pouquinho mais de mim. Gosto tanto que não me importo de deixar o teatro da minha vida possuir outros protagonistas que não eu. Eu fico ali no cantinho, sendo roteirista de vidas alheias e figurante da minha própria história. Sempre em prol dos outros. Sempre para ajudar. Sempre para ser amiga. Apenas amiga, mas amizades unilaterais.

Todos podem precisar de mim. Eu não posso ousar depender dos outros, afinal, sou tão legal que jamais poderia encher sacos alheios com as minhas merdas. Por outro lado, todo meu baú de merdas está cheio de merdas alheias. O que eu faço com as minhas merdas? O que eu faço com as minhas necessidades? Eu não sei.

Mas sei que cansei de ser amiga, cansei de entregar protagonismo aos outros, cansei de ser boazinha, cansei de ajudar, cansei de estar sempre disponível. Cansei de sempre se a amiga, nunca o algo a mais...

 Beijos, IsisD.

terça-feira, 1 de abril de 2014

Versão de mim.


Criei uma versão de você para mim. A versão que criei era falsa. Tão falsa que não demorei tanto a perceber que era falsa. A tintura da tua máscara começou a rachar e a se despedaçar, quando tudo caiu vi que era igual a todos os outros rostos. Comum. Eu inventei aquilo que te tornava especial para mim. Embora sabendo disso, nunca consegui parar inventar outros vocês e de me apaixonar e desapaixonar, nunca sem dor. Cheguei a pensar que sentia muito por você sentir tão pouco. Você era quem não sentia o suficiente. Você era o errado.
Você sabe o significado do meu nome? É o nome de uma Deusa e às vezes, por mais que me envergonhe disso e seja doloroso admitir, acabo agindo como se fosse uma. Eu não admito errar. Mas tenhamos um pouco de calma. Se eu te inventei e você é errado, logo eu sou errada. Não! Foi apenas uma desatenção. Uma desatenção após a outra e eu me tornei o que me tornei. Um ser humano que não se permite errar e erra cada dia mais. Um ser humano que se engana com suas próprias vendas.
No fundo sabia que se me ocupasse te inventando, me apaixonando pela versão e me decepcionando com a falsidade dos sonhos construídos unilateralmente por mim, não teria que me olhar nos espelhos e ver que o maior problema sou eu.
Tantos rostos diferentes, tantas versões construídas, tantas paixões platonicamente inventadas com um único objetivo: pintar a casa velha que está com as paredes rachadas cobertas de mofo.
Assim como criei uma versão de você, criei uma versão de mim para mim mesma e passei a acreditar nela como se fosse verdade. Longos anos vivendo sob a versão que criei de mim mesma. Longos anos acreditando em algo que, agora vejo, era mentira. Agora me dei conta disso e não faço a menor ideia do que fazer com isso. Não sei se sento e fico olhando a minha vida em um retrospecto, ou se ando e procuro uma nova direção que me guie rumo a mim mesma. Não paramos por aqui.
Independente do que eu for fazer com aquilo que fiz de mim, tenho que tirar essa venda. Tenho que parar de olhar o mundo com os olhos nublados. Só assim, já dizia o tarô seguidas vezes, me tornarei a imperatriz da minha vida e conseguirei tomar as decisões com temperança e ser justa comigo e com os outros. Pode ser tudo ou nada, mas posso dizer que eu já estou sem nada. Vou atrás do meu tudo.

Isis D.

segunda-feira, 31 de março de 2014

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A cabeça da uma volta.
A vida da um nó.
As coisas não fazem sentido e o mundo parece fora de radar.
Fico me questionando se me perdi na rotação da Terra, ou se a Terra se perdeu nas minhas rotações.
De qualquer modo, tudo está fora do lugar..

Ou eu nunca soube qual é o meu lugar. Mesmo depois de tantas mudanças, de tantas reviravoltas, nada faz sentido.