quarta-feira, 4 de março de 2015

Estranho essa coisa de ser humano e de estar sempre insatisfeito. São tantas idas e vindas que a gente se perde um pouco no meio dos caminhos. Um pedacinho fica em cada canto. Às vezes desejo me formar e procurar um lugarzinho só meu no mundo, como se fosse a grande conclusão da etapa Graduação. Outras vezes desejo atrasar esse processo e continuar nesta etapa da formação, mesmo sabendo que nossa formação profissional não termina nunca, ou justamente por saber isso e já estar adaptada a esse processo atual.
É tão estranho essa coisa de ser incerto. É tão estranho essa coisa de querer viver tudo isso para sempre. Sem contar a estranheza de saber que só estou vivendo estes momentos por causa das pessoas ao meu redor e que se elas mudarem, tudo isso muda também. É tão estranho, mas espero não me acostumar nunca.
Devir. Acho que esse é o devir vida.
Era uma vez uma menina que adorava histórias que começavam com era uma vez. Tal menina adorava escrever histórias, mas se irritava um pouco com o fato de estar presa ao era uma vez. Era uma vez isso. Era uma vez aquilo. Finais felizes recheados de drama. Era uma vez padrão Disney. O problema do era uma vez é que nunca chegava o seu era uma vez. Sempre era a vez dos outros, nunca a sua. Então, começou a refletir sobre o era uma vez e todas as histórias que perdeu por esperar uma história digna de filme da Disney. Talvez a vida não seja como nas animações da Disney. Talvez não seja como um filme de comédia romântica, com uma pitada de putaria e um final de fazer o coração voltar a acreditar na redenção dos cafajestes. Pensou bem sobre tudo isso e deixou de escrever histórias de era uma vez, deixou de viver nos castelos da ilusão e lutar contra os dragões imaginários. Reaprendeu tudo o que sabia sobre o amor e se deu conta que é matematicamente impossível duas pessoas se unirem para que haja uma espécie de se completar pelas vias do amor. Reaprendeu tudo e percebeu que a vida pode ser muito melhor do que nos contos de era uma vez, porque só se vive uma vez e isso torna tudo único. Percebeu que a vida é foda. Foda para caralho. Agora deixou o era uma vez e percebeu que é a sua vez. Sua vez de ser feliz e livre. Hoje corre pelo mundo, cabelos ao vento, com o coração pronto para redescobrir novos mundos, realizar sonhos e ser mortalmente e humanamente feliz.
IsisD.
No compasso o descompasso em um só passo
Dois mais um que não formam três
Formam um. Um em cada lado.
Relacionamentos sem relações
Relações sem nenhum relacionamento
Um trio de um, solitário em um só
O coração é um fardo.
Passos em rumos diferentes
Seguindo escolhas de um coração doente
Tendo como resultado vidas dormentes
Dissimulado e demente
É o coração que pra si mente
Só para fingir não sentir o que de fato se sente
Três, dois, um. Nenhum.
Luz, câmera, ação
Encena a vida pra não ter que decidir
E finja. Dissimule. 
Corações transbordantes
Transvestidos de viajantes