quinta-feira, 25 de maio de 2017

[sufoco.]

não consigo respirar.
tento gritar!
minha voz não sai
nem sei se existe mais...

só há o vazio,
até então.
dor. e o sangue,

da garganta arranhada,
do choro contido,
do sentir sufocado.

esse nó que me cala,
que entala
e nada deixa sair

nada...

da inexistência,
da omissão
da anulação da vida,
à falta de libido.

qual é o sentido?
o motivo?
a razão?

castração?!
da vida,
da potência.

e essa luta,
desesperada,
pra não morrer
dentro de mim.

dói!
grito!
choro!
sinto!

vivo.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Untitled

Olá Braseeeel

Só queria compartilhar que além de muito gripada, estou muito feliz por finalmente baixar o app do blog e estar começando a organizar meu mundo interior nesse lugarzinho do ciberespaço destinado a euzinha aqui.

Agora eu consigo manipular fotos e textos de um jeito muito mais prático e fácil (antes eu tinha que abrir aba anônima do Chrome pra conseguir postar).

Então só pra não me perder nesses devaneios deixo aqui algo que escrevi há alguns meses e possui colaborações da Carol Chiodelli e do Marcelo Schabarum (falar nisso, que saudade de vocês). É uma das minhas produções favoritas (e olha que a minha tendência é nao gostar de nada que escrevo).

[Bilhete esgotado, destino vazio]

Eu que sempre falei "vai, some"
Agora me pego querendo fazer morada no peito de alguém
Por mais que a vergonha se inclua
Lhe peço: por favor, me dilua por inteira

Essa neurose obsessiva ostenta
Uma muralha de nãos que me tenta
A desistir de tentar, outra vez

Eu que me sinto como um trem
Buscando o descarrilhamento
Sigo sentindo que
Tenho um destino certo

Mas quem compraria um bilhete
em direção ao não?

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Barco à deriva

escrito dia 03/02 em um bar qualquer


Tive que abrir tuas redes sociais hoje de novo. Queria saber como você tava, ver teu rosto, o que você andava compartilhando, esse tipo de coisa fugaz. E eu fiz isso, mesmo que a parcela da tua vida compartilhada seja irrisória. Eu queria saber, eu queria ver. Mesmo que cada vez que eu veja doa em algum lugar diferente, mesmo que eu tenha prometido pra mim mesma que ia ficar longe disso, que eu merecia mais. E eu sei que mereço mais que as migalhas que colho de ti pelo caminho que já trilhei.

Mas como eu poderia prever que de novo eu acordaria pensando em você? Como eu ia adivinhar que tu tinha o poder de me tornar barco à deriva? Eu que sempre mantive o compostura, que andava fiel com minha bússola, no controle do leme. Eu a me guiar, agora fico tão sem norte. Só há morte. E vazio. O vazio da vida que segue sem ti e leva os sentidos malucos que sempre existiram dentro da minha loucura. Nao há nada sem ti, o vazio é palpável, a dor é assombrosa. E eu? Eu sigo sem saber como seguir...

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Aquele all star vermelho




Sabe aquele tênis que eu amava? Pois é, eu deixei pra trás... na casa de uma amiga. Eu tava indo embora e ele ficou lá...

Eu deixei ele lá. Não porque eu não queria mais ele, nem porque eu sei que pode passar um tempão mas vou voltar a ver ele. Deixei ele lá pura e simplesmente porque nunca imaginei que de fato poderia ir embora e deixar ele pra trás...

Mas ele ficou lá. Com ele ficou minha esperança de mudar de vida, de te amar de novo, de ficar pra sempre. Com ele ficou a crença de construir um novo lar no antigo lar, de fazer do abraço uma casa, do teu olhar morada.

Ele ficou, mas tu veio de intruso no peito. Poderia ter ficado lá, no aeroporto... Quando não apareceu pra me fazer mudar de vida, quando não apareceu pra ter de volta o que era teu: meu peito, teu abrigo anti-bombas.

Mas tu não apareceu, meu tênis ficou pra trás e o caminho até pode ser sinuoso, mas eu sou teimosa. Eu aprendi a construir novos lares, a conhecer novas pessoas. Uma hora dessas alguém me trás um tênis e me oferece um novo lar, até lá eu vou lutar. Lutar pra ser feliz. Pra acreditar em mim. Pra parar de sonhar e esperar.

Nao quero ser Alice no País das Maravilhas, não quero ouvir que "pra quem nao sabe onde ir, qualquer caminho serve". Eu construo meu próprio caminho.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

É a vida.


A gente sempre escuta que a vida nao é como a gente quer. Tudo bem, não somos senhores do tempo e não tomamos todas as decisões sozinhos. Muitas vezes não temos a vida que sonhamos, mas não podemos dizer que não é a nossa vida. Nós a construímos dia a dia, acontecimento por acontecimento, decisão após decisão.

Aqui estou eu, escrevendo sobre a vida no shopping que frequento desde criança, na cidade que mais amo no universo. Coração apertado por logo ter que entrar num avião que vai me levar pra tão longe da minha felicidade, pra longe da minha metade que hoje completa a vida de outro alguém.

E a vida, aquela salafraria, tá aqui, me esfregando verdades na cara, destilando a fatalidade do tempo e dos acontecimentos. A vida tá aqui me mostando que passou tempo demais, embora nenhum tempo do mundo seja suficiente, me mostrando que a vida pode não ser como queremos, mas que cabe a nós nos satisfazermos com o que ela oferece. Ela ja me ofereceu muita coisa. Ja me ofereceu muitas possibilidades. Mas eu nao consigo aceitar. Eu nao consigo me contentar. Nao consigo me contentar com menos do que tudo aquilo que desejo. E o meu desejo é voce. Fazer o que? É a vida.

Vou entrar naquele avião tendo vontade de ficar. Vou querer morrer durante todo trajeto só por desejar não sentir mais isso, nunca mais. Mas é a vida.

domingo, 16 de outubro de 2016

chorei.

2009 foi ontem? Pois se foi, não sei. Perdi a chance de te encontrar e assim reencontrar esse pedaço meu.

2016 é hoje? Então porque eu não fiz nada? Medo ou orgulho, pode chamar como quiser. Burrice? Fiquei parada vendo a felicidade seguir os rumos que determinei. Pra longe de mim.

Quando o ontem era hoje, mandei o amor pra bem longe. Por medo, orgulho ou burrice, expulsei mais uma vez aquele que amei.

Me ligou, procurou. Eu amei e ele me amou. Ele chorou e eu também chorei. Eu com medo o expulsei mais uma vez.

Já esgotado de tanta ladainha, cansou. Hoje procurei e notei que casou. Eu chorei.



quarta-feira, 4 de março de 2015

Estranho essa coisa de ser humano e de estar sempre insatisfeito. São tantas idas e vindas que a gente se perde um pouco no meio dos caminhos. Um pedacinho fica em cada canto. Às vezes desejo me formar e procurar um lugarzinho só meu no mundo, como se fosse a grande conclusão da etapa Graduação. Outras vezes desejo atrasar esse processo e continuar nesta etapa da formação, mesmo sabendo que nossa formação profissional não termina nunca, ou justamente por saber isso e já estar adaptada a esse processo atual.
É tão estranho essa coisa de ser incerto. É tão estranho essa coisa de querer viver tudo isso para sempre. Sem contar a estranheza de saber que só estou vivendo estes momentos por causa das pessoas ao meu redor e que se elas mudarem, tudo isso muda também. É tão estranho, mas espero não me acostumar nunca.
Devir. Acho que esse é o devir vida.